quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

SP reprova professores que tiveram depressão - Absurdo!

SP reprova professores que tiveram depressão

Apesar de terem passado em concurso no Estado, eles trabalharão como temporários

23 de fevereiro de 2011 | 0h 00

Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo
Professores aprovados no último concurso para a rede estadual de São Paulo estão impedidos de assumir seus cargos por terem tirado, em algum momento de suas carreiras, licenças médicas por motivo de depressão. Por essa razão, devem continuar com contratos temporários. Especialistas afirmam que a decisão é preconceituosa.
Evelson de Freitas/AE-15/2/2011
Evelson de Freitas/AE-15/2/2011
Decisão contestada. O professor Jair Berce tirou licenças em 2003 e 2004 e, por causa disso, foi reprovado na perícia médica
O Estado conversou com dois professores que passaram por todo o processo do concurso que selecionou docentes para atuar no ciclo 2 do ensino fundamental. O concurso tem diversas etapas: prova inicial, curso de preparação (que dura cerca de quatro meses), prova pós-curso e diversos exames de perícia médica - fase na qual foram "reprovados". Docentes míopes e obesos também foram impedidos de assumir seus cargos nessa mesma seleção.
Jair Berce, de 36 anos, que leciona na rede pública desde 1994 com contrato temporário, é um dos barrados. Ele conta que, na primeira perícia, foi considerado apto. Seu nome foi publicado no Diário Oficial em 8 de janeiro, na lista dos professores nomeados. No entanto, no dia 26, Berce foi convocado para uma nova perícia. O psiquiatra questionou as licenças médicas que ele havia tirado em 2003 (cinco dias afastado) e em 2004 (duas vezes: dez dias e depois duas semanas).
"Eu nem lembrava mais disso, foi há tanto tempo. Tomei fluoxetina (um tipo de antidepressivo) por seis meses. Hoje não tomo mais, estou muito bem. Foi um período difícil na minha vida: minha mãe tinha morrido, minha irmã tinha sofrido um acidente e eu estava terminando minha tese", lembra. Berce é formado em Ciências Sociais pela USP e tem mestrado em Antropologia pela PUC-SP. Ele também leciona na rede municipal de Barueri.
Nessa mesma perícia, Berce passou pelo teste de Rorschach - que consiste em interpretar dez pranchas com imagens formadas por manchas simétricas de tinta. "Depois que soube da reprovação, pedi para ver o prontuário. Nele, havia a seguinte anotação: "visto avaliação psicológica F-32 - sugiro temerário o ingresso" e "não apto"", conta. F-32 é o código da Classificação Internacional das Doenças (CID) para depressão.
O professor C.Z., de 34 anos, que, assim como Berce, leciona Sociologia, atua na rede estadual há dez anos e foi vetado no concurso pelo mesmo motivo. No ano passado, ele terminou um casamento de cinco anos e precisou se afastar do trabalho. "Foi um período difícil, que me consumiu muito e fui orientado a procurar um psiquiatra para tirar uma licença", lembra ele.
Z. ficou um mês fora da sala de aula. "Eu nunca havia tirado licença do trabalho. E nunca tomei remédio", afirma. Segundo ele, na perícia do concurso, o médico marcou "não apto". "Eu vi quando ele escreveu e perguntei o porquê. Ele disse que era por causa da licença. Tentei argumentar e explicar os motivos, mas ele não quis me ouvir."
Os dois professores continuam dando aulas como temporários. "É contraditório: como posso continuar trabalhando se eles me vetaram?", questiona o professor Berce.
Ambos recorreram da decisão e foram convocados para novas perícias, que devem ocorrer nesta semana (mais informações nesta página).
Discriminação. A psiquiatra da Unifesp Mara Fernandes Maranhão afirma que vetar um docente pelo fato de ele ter tido depressão é preconceito. "Toda pessoa está sujeita a passar por situações difíceis", explica. "Aquelas que têm propensão ou componente genético desenvolvem processos depressivos."
Segundo Mara, são poucos os quadros realmente curáveis, já que há grande chance de recorrência. "Mas a doença é tratável e, com acompanhamento, o paciente pode voltar a trabalhar normalmente. Não existe razão para rejeitá-lo."
Eli Alves da Silva, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB-SP, concorda. "Essa pessoas estão sendo discriminadas pelo próprio Estado, que é quem deveria combater esse tipo de coisa."
Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o governo deve "propor acompanhamento a todos os casos de professores com problemas de saúde e não alijá-los do trabalho". A entidade ressalta que seu departamento jurídico tem ingressado com ações na Justiça para garantir aos professores nessa situação o direito de lecionar. 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Computador e Educacão? Uma ótima combinação

Marise Schmidt Veiga 
Petrópolis - 2001

 

Introdução

        A escola ao introduzir o computador como um meio de aprendizagem não deve deixar que este se torne um artigo de luxo, criando assim adultos egoístas e anti-sociais. Ela deve buscar neste, um meio de desenvolver cidadãos mais críticos, sociais e independentes, repensando assim o seu papel frente a novas tecnologias.
        Entender o binômio "Computador e Educação", é ter em vista o fato de que o computador se tornou um instrumento, um ferramenta para aprendizagem, desenvolvendo habilidades intelectuais e cognitivas, levando o indivíduo ao desabrochar das suas potencialidades, de sua criatividade, de sua inventividade. O produto final desse processo é a formação de indivíduos autônomos, que aprendem por si mesmo, porque aprenderam a aprender, através da busca, da investigação, da descoberta e da invenção.
        Por isso a informática na escola é fundamental, tanto para alunos quanto para professores. Essa nova tecnologia tornou-se um importante meio de estudo e pesquisa. Os alunos do ensino fundamental e do ensino médio, ao utilizarem o computador entram em um ambiente multidisciplinar e interdisciplinar, ou seja, ao invés de apenas receberem informações, os alunos também constroem conhecimentos, formando assim um processo onde o professor educa o aluno e ao educar é, transformado através do diálogo com os alunos. Cada geração inventa, cria, inova e a educação tem seu processo também de criação, invenção e inovação, principalmente no campo do conhecimento. E preciso evoluir para se progredir, e aplicação da informática desenvolve os assuntos com metodologia alternativa, o que muitas vezes auxilia o processo de aprendizagem. O papel então dos professores não é apenas o de transmitir informações, é o de faci1itador, mediador da construção do conhecimento. Então, o computador passa a ser o "aliado" do professor na aprendizagem, propiciando transformações no ambiente de aprender e questionando as formas de ensinar.
        A informática então, a serviço de um projeto educacional, propicia condições aos alunos de trabalharem a partir de temas, projetos ou atividades extracurriculares. O computador é apenas e tão somente um meio onde desenvolvemos inteligência, flexibilidade, criatividade e inteligências mais críticas.
        Se a educação se esgotar no processo de transmissão dos conhecimentos e dos valores criados por gerações passadas sem a elaboração de conhecimentos novos, sem questionamento de valores, sem inventividade e inovação, não teremos evolução cultural, social, tecnológica e educacional. Deixará de haver progresso e estaremos estagnando ou retrocedendo.
        Portanto, a informática quando adotada nas escolas deve se integrar ao ambiente e à realidade dos alunos, não só como ferramenta, mas como recurso interdisciplinar, constituindo-se também em alguma coisa a mais com que o professor possa contar para bem realizar o seu trabalho, desenvolvendo com os alunos atividades, projetos e questionamento.
        Como toda tecnologia, a introdução dos computadores na educação apresenta aspectos positivos e negativos. Para que uma instituição escolar introduza a informática, é preciso ter em primeiro lugar um plano pedagógico, onde serão discutidos os objetivos de sua utilização como ferramenta educativa e a escolha do software educativo que possa ser usado para ajudar a atingir mais fácil e eficientemente os objetivos educacionais, não deixando portanto, que o computador se torne um brinquedo.
        A escola precisa de professores capacitados e disponibilizados a encarar esse novo ícone que é a informática educativa sem medo de que algum dia seja substituído por computadores. É preciso então que haja uma integração entre o meio escolar e o corpo docente, desenvolvendo assim a sociabilidade dos alunos e a familiaridade dos professores com o mundo da tecnologia.
        Porém, a introdução de computadores nas escolas é, nem virá a ser, uma solução para os problemas que afligem a educação. O computador não é um "bicho de sete-cabeças" e não salvará o ensino. Ele pode educar, mas também deseducar dependendo da maneira como será utilizado. Ele não substitui a inteligência e a criatividade que são inerentes ao ser humanos, apenas às desenvolve.Aprendendo com projetos 
        Nas escolas nos deparamos na maioria das vezes com atividades que exigem muita criatividade e para isso é preciso ter coragem de enfrentar novos desafios e, principalmente, não ter medo de errar. Ser criativo depende, antes de tudo, de autoconfiança e confiança no outro. Isso tem sido feito por meio de projetos.
        Tal como Fagundes (1998) nos aponta, aprender por projetos é uma forma inovadora de romper com as tradições educacionais, dando um formato mais ágil e participativo ao trabalho de professores e educadores. Trata-se mais do que uma estratégia fundamental de aprendizagem, sendo um modo de ver o ser humano construir, aprendendo pela experimentação ativa do mundo.
        Ao elaborar seus projetos, o professor conduzirá seus alunos a um conjunto de interrogações, quer sobre si mesmos, quer sobre o mundo à sua volta, levando o aluno a interagir com o desconhecido ou com novas situações, buscando soluções para os problemas.
        Não podemos confundir aprender por projetos com ensino por projetos. (Fagundes, 1998). Aprender por projetos é levar o aluno a construir seus conhecimentos, despertar sua curiosidade, seu desejo, sua vontade de cada vez mais aprender. O ensino por projetos éapenas transmitir conhecimento ao aluno e este não tem a chance de questionar, de formular problemas, se tornando um depositário de informações.
        O aluno só aprende por projetos, tornando-se um "grande pesquisador", quando indaga, investiga e levanta hipóteses para solução de seus problemas.
        No trabalho que realizamos com as crianças do ensino fundamental, cada turma desenvolve o seu projeto, buscando conhecimentos, descobrindo novas formas de transmiti-los e preparando o exercício da cidadania.
        Este trabalho não é realizado somente no ambiente computacional, e sim também fora dele. As crianças constróem maquetes, trazem pesquisas, fotos, CDs, realizam experiências, dentre outras coisas, vivendo num mundo de descobertas e imaginações.
        Um dos projetos realizados onde se pode observar a criatividade e o fluir da imaginação, foi o da 4ª série que tinha como tema "A Máquina do Tempo", no qual as crianças fazem uma viagem pelo tempo desde o passado até o futuro. Neste projeto podemos observar a construção de imagens e conhecimentos, por parte do aluno.
        Em primeiro lugar, cada criança construiu um esboço da máquina do tempo no Paint, relatando em seguida no Word a sua utilização.
        Em segundo lugar, utilizando sucatas, construíram em grupo a máquina do tempo, no qual fariam suas viagens pelo, através da imaginação.
        Construída a máquina, os alunos partiram para a sua primeira viagem que foi para o mundo dos dinossauros. As crianças contribuíram com pesquisas e materiais para construção da maquete. Primeiramente, dialogamos com os alunos para verificar suas hipóteses sobre como seria o mundo dos dinossauros, desenvolvendo assim a sua imaginação.
        E em seguida os alunos desenharam no Paint o que haviam imaginado. Finalizando o trabalho, os alunos construíram uma maquete para melhor representar dinossauros.
        Durante as aulas observamos a expansão da criatividade e da imaginação das crianças. Isso se manifestou através do interesse, da participação, da cooperação e da motivação dos alunos na realização das atividades propostas, como podemos notar pelos desenhos e pela maquete.

Uma ótima combinação 
        Podemos concluir que com o uso do computador, mesmo as tarefas mais simples, como desenhar na tela, escrever um texto, etc..., são suficientemente ricas e complexas, permitindo o desenvolvimento de uma série de habilidades que ajudam na solução de problemas, levando o aluno a aprender através de seus erros.
        Isto contribuirá para o desenvolvimento de sua autoconfiança, ou seja, dar a capacidade da criança viver em uma sociedade cada vez mais permeada pela tecnologia, crescendo com o sentido que são elas que devem controlar as máquinas e não o inverso.
        Os projetos dão a possibilidade de ruptura por se colocarem como espaço corajoso, onde é possível relacionar uma matéria com a outra, facilitando a atividade, a ação, a participação do aluno no seu processo de produzir fatos sociais, de trocar infonnaç5es, enfim, de construção de conhecimento.
        O propósito de se trabalhar com projetos é romper com as limitações, muito delas auto-impostas, do cotidiano, convidando os alunos à reflexão sobre questões importantes da vida real, da sociedade em que vivem, propiciando a solidariedade, criação e cooperação.
        Isto foi observado nos trabalhos realizados pela turma da 4ª série, no qual os alunos foram desafiados a viajar pelo tempo através da imaginação e da criatividade, buscando assim soluções para seus problemas.
        Isso implica também a participação dos professores. Este deixará de entregar as informações e passará a ser o facilitador, o mediador dos alunos no processo de construção e resolução de problemas, incentivando a reflexão e a crítica, permitindo que estes identifiquem os próprios problemas.

Referência bibliográfica: 

ALMEIDA, Fernando José de, JUNIOR, Fernando Moraes Fonseca. Aprendendo com projetos. Coleção Informática para a Mudança na Educação. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância Programa Nacional de Informática na Educação, 1999.

FAGUNDES, Léa et al. Aprendizes do Futuro: as inovações começaram! Coleção Informática para a Mudança na Educação. Ministério da Educação. Secretaria da Educação a Distância. Programa Nacional de Informática na Educação, 1999.

FRE1RE, Fernanda Maria Pereira, PRADO, Maria Elízabette Brisola Brito. Projeto Pedagógico: pano de fundo para escolha de um software educacional, In. O Computador na Sociedade do Conhecimento - organizado por José Armando Valente - Campinas: UNICAMP/NIED, 1999.

VALENTE, José Armando, CANHETTE, Cláudio Cesar. Lego-Logo: explorando o conceito de design, In. O Computador na Sociedade do Conhecimento - organizado por José Armando Valente - Campinas: UNICAMP/NIED, 1999.

VALENTE, José Armando. Mudanças na sociedade, mudanças na educação: o fazer e o acontecer, In. O Computador na Sociedade do Conhecimento - organizado por José Armando Valente - Campinas: UNICAMP/NIED, 1999.

VALENTE, José Armando (org.). O Professor no ambiente Logo: formação e atuação. Campinas: UNICAMP/NIED, 1999.

O processo de construção do conhecimento no dia a dia da sala de aula

Minhas considerações e recomendações se baseiam, de pronto modo, na prática efetiva em sala de aula, em tentativas seguidas de erro e acerto e na vontade contínua de melhorar e obter cada vez mais prazer na atividade que mais me realiza: a docência.

É curioso perceber que cada turma aprende de uma forma diferente, cada indivíduo aprende de forma diferente e mais, muitas vezes o mesmo indivíduo, vai aprender de formas diferentes em momentos distintos.

Além de todas as diferenças de personalidade, de formação social e cultural, ainda há a variação de estado de espírito e humor a que todos, inclusive os professores, estão sujeitos. Torna-se extremamente difícil, muitas vezes, entender o ponto de vista do outro, se colocar no lugar do outro, afinal, apenas ele sabe - parafraseando o poeta – a dor e a delícia de ser o que é. Todas as experiências, todas as dificuldades, todos os medos e toda a expectativa juntos, misturados num mesmo “caldeirão”, que, a depender da habilidade do “cozinheiro”, pode se tornar um raro “banquete”, um “prato comum” ou o que é pior, uma tentativa frustrada de “prato”.

Ao acender das luzes de cada semestre nos deparamos com novos rostos, novas aspirações, novas expectativas, novas cobranças e principalmente novos desafios. A evolução e o aperfeiçoamento didático do professor deve ser constante.

Recentemente tenho me permitido mudar algumas práticas comuns no ensino do Direito. Em regra, muitas vezes o professor se restringe a tentar “repassar” o conhecimento ao aluno, limitando-se a ensinar ao aluno seu próprio ponto de vista. Aulas sem criatividade, monologas, enfadonhas e tediosas, muitas vezes apenas se resumindo à leitura e explicação de leis.

Confesso que cheguei a me sentir nessa situação, momento no qual, passei a buscar formas de melhorar meus métodos de ensino bem como de dinamizar minhas aulas de forma que conseguíssemos, tanto eu como os alunos, juntos, construir ou mesmo reconstruir o conhecimento que eles necessitavam.

Pois bem, uma das primeiras novidades (bem sutil), foi incorporar cada vez mais os alunos às aulas, tomando-os como exemplo das situações hipotéticas e introduzindo-os de fato nas aulas. Em seguida, passei a incluir nos slides de aula as dúvidas colocadas pelos alunos bem como as hipóteses novas que eles me traziam. Muitas vezes, as hipóteses eram complexas e demandavam pesquisas, que eu, além de fazer, pedia que tanto o autor da hipótese, bem como os outros alunos fizessem também. Na aula seguinte apresentávamos os resultados logo no início da aula, antes de seguir adiante com a matéria. Chegou um ponto, que a turma se sentia tão à vontade com tal prática que a parte mais esperada da aula era o final (detalhe: aulas noturnas quintas e sextas no último horário).

Senti, depois dessas mudanças iniciais, além do maior interesse geral e individual em aprender, que a turma se uniu mais em torno do mesmo objetivo. As discussões entre os alunos se tornaram freqüentes, o nível dos argumentos subiu consideravelmente e entre eles passou a ser motivo de orgulho aprender mais para construir as melhores e mais interessantes hipóteses.

Após perceber tal crescimento da turma e o maior interesse geral pela matéria, passei a tentar entender melhor a forma como aprendiam, como aprendiam melhor, quais os métodos atendiam melhor. Conseqüentemente, após tal prática, pude me aprimorar na forma de ensinar, de acrescentar, no papel de professor, informações, reflexões e orientações para que cada aluno pudesse buscar e construir seu próprio conhecimento, sua própria forma de aprender.

Passei então a levar comigo as dificuldades da turma, de um pequeno grupo, ou de um aluno apenas em compreender determinados pontos da matéria e a tentar desenvolver formas específicas que os atendessem, que facilitasse o aprendizado. Curioso é que algumas vezes os próprios alunos sugeriam formas que consideravam melhor para atenderem. Quadros comparativos, esquemas, fluxogramas etc.

Outras mudanças vieram. Com uma turma em que leciono Direito Penal, ao invés de trazer o casos prontos, e na maioria das vezes fictícios, para serem resolvidos, passei a pedir que trouxessem notícias de jornal, de crimes pertinentes à matérias que estávamos estudando. Com a variedade de casos que apareciam, podíamos trabalhar e discutir de forma mais produtiva e pude perceber claramente a satisfação dos alunos em poder contribuir, dar cada um seu “toque pessoal” à aula e dividir também sua própria forma de entender e aprender com os outros.

Depois de todo esse processo, várias novas formas de dividir e compartilhar o conhecimento com os alunos surgiram, não de forma teórica ou aprendida em um curso formal, mas sim na prática da sala de aula. Até então, eu não tinha a menor idéia que grosso modo eu era adepto do construtivismo. Hoje, já conhecendo um pouco mais sobre o processo de conhecimento e as teorias de aprendizagem percebo que progredi, mas que ainda tenho muito a aprender e a melhorar, e mais, percebo que intuitivamente já aplicava muitas delas (teorias), mesmo sem ter consciência disso.

Aula 0

Isso mesmo, aula zero! Assim como na sala de aula aqui também tudo se inicia com a aula zero onde nos apresentamos, nos conhecemos e estabelecemos objetivos e metas a serem alcançadas. Começando por mim, meu nome é Gil Morato, sou Graduado em Direito, Especialista em Ciências Penais e Pós-Graduando em Gestão Educacional e professor do curso de Direito. Inicialmente, o presente blog surge como uma exigência de uma das disciplinas da pós-graduação, mas com certeza será mantido e atualizado após o fim do curso, pois trata-se de um assunto que gosto muito e que preciso muito me aprimorar, crescer, para que minhas aulas fiquem cada dia melhores. A minha intenção, como já disse na descrição, é disponibilizar um espaço para a troca de experiências, idéias, compartilhamento de conhecimento inerente ao ato de ensinar, da prática docente. Sejam todos bem vindos e estejam à vontade para comentar e multiplicar os textos aqui disponibilizados, sempre tomando o cuidado de citar autoria e fonte. Abraços a todos e boas aulas!!!